Eu sou assim…

Eu sou filha, sou neta, sou irmã, sou amiga, sou empregada, sou chefe, sou dona, sou tia, sou madrinha, sou mãe, sou Dra. E posso ser avó. Posso ser esposa, namorada ou amante. Eu sou eu.

Posso estar tão triste a ponto de sentir meu coração palpitando, parecendo que vou morrer e você nem perceber. Também posso estar um pouquinho triste e todas as pessoas em volta virem me perguntar o que está acontecendo.

Posso estar tão feliz, mas tão feliz, que minha boca (enorme) não consegue ficar fechada. Mas posso, ao mesmo tempo, estar com um risinho dentro de mim, de uma alegria contagiante que falta pouco pra saltar.

Posso chorar vendo propaganda de margarina, olhando um mendigo na rua, uma criança carente ou por uma calça jeans que insiste em não subir. Posso chorar de alegria, de tristeza, de dor, de amor, de ódio…

Sou forte, mas às vezes posso me mostrar frágil.

Gosto de liberdade, praia, campo, subidas, vôos altos, cheiro de terra molhada, cheiro de mato. Gosto de cozinhar sem obrigação, não gosto da louça que fica. Gosto de scrapbooking, mas não tenho tido meu momento pra isso. Gosto de patins, mas preciso comprar um. Gosto de rua, de gente, de bicho quero distância… Gosto de sexo com amor, de sexo com pegada, de palavras, de barulho, de voz, do peso, do gosto, da sensação.

Gosto de carros, viagens, esportes. Gosto de ler, de dormir, de comer e não engordar (sonho!). Gosto de cinema, DVD, música alta. Gosto de sexo (já disse isso), nada de drogas e rock’n roll numa dose branda.

É uma pena. Mas você não vale a pena.


Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar

Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer

Que é uma pena
Mas você não vale a pena

Não Vale A Pena
Maria Rita
Composição: J. E P. Garfunkel